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domingo, 18 de setembro de 2016

Superando a Pirraça.

   Com a guarda compartilhada em andamento, quando meu filho fica comigo tento fazer o melhor para cuidar e educar ele. Percebi que a sociedade em si , pelo menos aqui no nosso país abençoado por Deus e bonito por natureza, aculturou que o papel do pai na educação dos filhos é bem pequeno. É a mãe que resolve a maioria das situações com os filhos; Ainda não temos uma presença maior da mulher no mercado de trabalho, muitas ainda são "apenas" dona de casa, e quando trabalham, tem a jornada dupla: O trabalho fora de casa e suas "obrigações" como mulher dentro de casa, o que inclui o cuidado com os filhos. E em separação do casal, o comum são os filhos ficarem com as mães, apesar de hoje a guarda compartilhada ser a primeira determinação. Mas este é um assunto que deixarei para outro momento, e já falei por aqui sobre guarda compartilhada, ( Clique aqui para ver a postagem sobre Guarda compartilhada .).

   O assunto que quero tratar aqui é sobre a pirraça. Quando são os meus dias com meu filhote procuro participar de tudo, assim como era quando estava casado. Então eu não ajudava na criação do meu filho, participava de maneira igual. Banho, fralda, lazer, comida... Tudo. E separado não é diferente. E mesmo tendo ajuda da minha namorada e da minha mãe, a responsabilidade de criar o guri é minha. Eu sou o pai. E como tal tenho que encarar de tudo conforme meu padawan cresce. E no rumo aos três anos uma das situações é a pirraça.
   Já tinha visto o semblante de vergonha, frustração, impotência, raiva e tristeza nas mães quando seus filhos faziam aquela birra descomunal na rua, mercado, porta de escola, shopping, fazenda ou em uma casinha de sapê... Imaginava como me sentiria se fosse eu. Bom, não imagino mais. Sei exatamente como é. E me senti exatamente como cada uma daquelas mães. E garanto que os pais que fazem como eu, assumindo o papel de responsabilidade que tem com os filhos, passou pelo mesmo. É um turbilhão de emoções dentro de nós , e acabamos agindo de maneira agressiva, perdendo o controle de tudo e no fim só sobra o arrependimento da forma que agimos. Fora que nos culpamos pelo comportamento da criança. Afinal... Somos nós que estamos educando. Como fazer então para evitar estas situações? Ou saber controlar quando acontecer? O primeiro passo é, com certeza, ter paciência. E conversar muito com a criança.
   Confesso que não sou a pessoa mais paciente do mundo. Na verdade é justamente o contrário. Mas como professor, tio,padrinho e mestre de RPG(?) aprendi muita coisa para ser utilizada como pai. Fora que li alguns livros e estou sempre consultando sites e revistas especializadas. Mas é na prática mesmo que se aprende, a preparação some naquele turbilhão emocional, e só a experiencia é capaz de nos fazer agir da melhor maneira possível se a vontade de fazer , e de educar, for real.
   Meu filho as vezes faz pirraça porque não quer ir a algum lugar, não quer ficar em algum lugar, quer alguma coisa...Não é sempre, e isso me fez pensar, porque tinha vezes que ele não se sentia bem, e fazia aquela birra monstruosa e outras vezes não? Por vezes para ir ou fazer a mesma coisa?
    O que escuto é: Ele está te testando. Está com sono. Com fome. E na minha cabeça se passava por vezes: "Por que ele está agindo desta maneira egoísta se  conversei tanto com ele?" além de outros julgamentos que pipocavam na minha cachola. Passei então a procurar descobrir o que exatamente acontecia. Minha preocupação sempre foi grande em relação a tudo com ele, e aumentou muito após a separação. Como estaria funcionando a cabeça dele? Será que poderia ser manipulado pelo moleque?
   De fato muito tem a ver com o emocional. As vezes realmente ele só precisava descansar ou comer. Mas muitas vezes tinha que dar um tempo pra ele. E perceber se este tempo era o de deixar ele quieto, conversar , acalentar ou mesmo dar uma bronca. A pirraça faz parte do desenvolvimento infantil, e como não entendemos isso, apesar de termos feito o mesmo em nossa época, e julgamos os pais quando vemos os filhos "pirracearem"por aí, cuspindo para o alto, acabamos reagindo da maneira errada quando acontece a situação, e então castigamos, agredimos e fazemos exatamente tudo errado afim de deixar a criança tranquila... " Normal."Mas o comportamento da criança é o reflexo de uma necessidade que ela esteja passando. É a forma que a criança tem de mostrar esta necessidade, assim como um neném faz quando chora , para informar se está com fome , frio ou sujo. Mas uma criança de dois /três anos é mais complexa, e está vivendo, aprendendo, se descobrindo e descobrindo o mundo. Então nestes momentos intensos precisamos compreender diversas coisas. Como por exemplo, a criança está se tornando um indivíduo e quer deixar de ser tão dependente de tudo. Quer fazer algumas coisas sozinha. Meu filho pede para fazer o dever de casa sozinho e se irrita as vezes quando pego na mão dele para "mostrar como é." Ele dizer não, não querer ir a algum lugar por exemplo, é uma forma de mostra independência. Foram muitas vezes em que meu filhote fez birra porque não queria ir ao shopping ou ao parque. Ele foi muitas vezes e sempre se divertiu muito, por que ele não quer ir agora? Será que não percebi se algo aconteceu com ele nestes lugares e ele pegou um pequeno trauma? Sei lá... Pode ser. Mas no meu caso era apenas ter o poder de escolha. Ele quer escolher o desenho que quer ver. A cor da massinha que quer modelar. O brinquedo que quer brincar. O lugar para onde ir. O poder de decisão é experimentar-se. Então quando ele faz uma escolha diferente do que se quer que ele faça, ele não está me desafiando ou testando. Ele apenas está tentando agir de maneira mais autônoma. Tanto que quando chega aos locais que não queria ir, brinca e se diverte e depois é justamente o contrário, ele não quer voltar pra casa.
   Outra coisa é que uma criança precisa de atenção. De repente ele pode não estar tendo atenção suficiente. Largar a criança vendo TV ou enfiar ela em um joguinho eletrônico para "ter paz"não é bem uma atitude muito legal...Não estou dizendo que a criança não possa ver TV ou jogar vídeo game, estou dizendo que se estas distrações para ela forem constantes ou em demasia, ela sente. Meu filho detesta ser ignorado. Se estava brincando com ele e paro para conversar com outro adulto algo "sério" ou vou fazer outra coisa, como mexer no meu celular, ele cobra. Me chama. Mostra que não gostou. Então pense, os cuidados com seu filho vão além de roupa, comida e um plano de saúde. Educação não é o colégio que vai dar. Se não parar para fazer atividades diferenciadas com a criança, todo o tempo que passar com ela, que pode não ser muito as vezes devido a diversas outras responsabilidades, como o trabalho, vai se resumir a brigar com ela. E a sua própria impressão vai ser a de que ela está se tornando uma criança mal educada e que "você não sabe mais o que fazer."Ser pai e mãe é estar presente nas etapas de desenvolvimento da criança , criando o ambiente que ela vive e entendendo as muitas responsabilidades que a função de pais exige. Lembra do que disse sobre paciência? Ela é essencial para sempre poder compreender estas responsabilidades. Criar uma rotina que atenda as necessidades de lazer, sono, alimentação e sempre respeitar estes horários ajuda, e muito, para evitar as birras. Perceber se a criança precisa de mais ou menos estímulos... Enfim, suprir as necessidades da criança , que vão mudando conforme cada idade. E crescer com isso! Ser feliz com isso! Por que o tanto que me divirto com meu filhote não está no gibi! Então, não julgue seus filhos, se policie nas coisas que fala com ele e quais impactos causam na cabeça dele daquilo que ele vê e escuta, principalmente da parte dos pais.
   Me disseram que a pirraça passa com a idade. A criança vai se expressar melhor sobre o que deseja. Sei que a fase pirracenta não dura para sempre, mas a maneira que vou agir com ele agora vai contar para como ele vai ser no futuro.
#LeandroSilvio

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