Meus amigos de infância e meus amigos nerds bem sabem que desde o finalzinho dos anos 1980 meu personagem favorito das HQs é o Wolverine, e as histórias dos X-Men sempre me fascinaram. Toda a ideia de luta contra a discriminação ,sofrida pelos mutantes do supergrupo de heróis, já colocava na minha cachola toda ideia de luta social que sigo hoje.
Mas é fato que , em segundo lugar, que por pouco não toma o lugar do velho Carcaju, disparado na minha preferência entre os super heróis imaginários do universo de HQs, vem o Pantera negra. E um dos maiores motivos é: Representatividade.
Não tem tanto tempo, li um relato de um garoto negro que pediu para comprarem para ele um boneco do Finn, do Star Wars. O guri nem sabia quem era o personagem, e ao ser perguntado do motivo de ele querer aquele boneco era porque ele identificava-se com o boneco, pois a resposta foi: "Ele se parece comigo."
Lembro de outro relato, se não me engano feito por Olívia Pilar, do Guest Post, mas li no Blog Geledés, onde ela conta que enquanto criança havia decidido mudar o cabelo, motivada pelo fato de não encontrar uma atriz negra na televisão brasileira que mostrasse que seu tom de pele e seu cabelo não eram inferiores aos cabelos lisos de pessoas brancas.Ela aponta que teve outros fatores, claro, mas que esse teve um peso gigantesco.Afinal, como ela poderia assumir seu cabelo crespo se ela não via ninguém mais o fazendo? É claro que ela tinha exemplos na família, mas para uma criança, isso geralmente não é suficiente.
Faltava representatividade. Faltava o negro ser realmente considerado.
Whoopi Goldberg conta que tinha 9 anos quando Star Trek foi ao ar. Ela olhou para a televisão e saiu correndo pela casa gritando: “Vem aqui, mãe, todo mundo, depressa, vem logo! Tem uma moça negra na televisão e ela não é empregada!”. Naquele exato momento ela soube que podia ser o que eu quisesse.
Para mim foi o Pantera Negra. Ele não era como os negros comumente eram apresentados, estereotipados ou como alívio cômico. Ele era inovador, era o primeiro personagem, super herói, de importância real nas HQs. O Pantera é o rei de uma Nação africana, uma Nação que nunca foi conquistada, Wakanda. Uma Nação que misturava a Natureza da selva africana e uma sociedade avançada tecnologicamente. O Pantera rivalizava em inteligência com Reed Richards, o cara mais inteligente do planeta naquele universo fictício! E eu sempre me considerei uma pessoa inteligente, chegava a ser arrogante. Eu simplesmente queria ser o Pantera Negra!
Quando fui ler as origens do Pantera, não as origens fictícias do personagem, mas do contexto que foi criado, passei a adorar ainda mais o personagem. Já fascinado pela luta dos direitos civis nos EUA, estava lendo bastante sobre Malcolm -X , Martim Luther King e o partido dos Panteras Negras, qual não foi minha surpresa ao descobrir que o Pantera Negra havia surgido justamente neste contexto? No mesmo ano em que um partido político revolucionário e de contracultura chamado Panteras negras, surgia um personagem de mesmo nome. Eu era um adolescente feliz, muito feliz com essa descoberta. Era o primeiro personagem negro nos quadrinhos, na mesma época em que a luta pelos direitos civis estava no ápice.
Com isso, sempre entendi a importância da representatividade, e não tem como discordar quando se fala o que pensam sobre isso. Lutar para que aconteça uma mudança, para todos que querem ver a diversidade nos meios de comunicação e entretenimento e para que sua história seja contada é de muita importância.
#LeandroSilvio

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